quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Aprendizado

Outro dia uma mulher foi mandada embora do trabalho. Faz pouco que estou lá, 3 semanas agora. Ainda nao a conhecia direito. Mulher tímida, cabeça sempre baixa, olhar arredio. Um pouco encurvada. Às vezes me parecia uma menina, às vezes uma senhora. Sempre com a mesma roupa, todos os dias.
Fui almoçar com ela apenas uma vez nesse tempo. Me impressionou que, ao contrário do que esperava, era uma mulher culta. Viajou por milhares de lugares, sozinha, acompanhada, como desse. Inglês fluente. Japonés também. Cursando universidade à distancia. Contente com o trabalho.
Perguntas superficiais. Me levaram a respostas inesperadas. Mulher divorciada. Com filho. Morando na casa dos pais. Mulher, mais uma, vítima de maus tratos por parte do marido. Mulher guerreira, capaz de se levantar de um casamento mal sucedido (quantas conseguiram?), superar um ano de depressao, levantar a cabeça e tentar seguir sua vida.
Meu filho me salvou, me disse. Porque se nao fosse por ele, nao teria saído, e quem sabe o que teria sido de mim. Venho sempre com essa blusa porque nao tenho outra. Mas ainda nao tenho vontade de comprar roupa nova. O dinheiro uso no meu filho.
Sua maneira de ser tomou outra forma para mim. Cada movimento passou a ter, a meu ver, uma carga emocional antes ignorada. E um aprendizado, doloroso, porém sempre presente, afinal, quem poderia esquecer?
Hoje o chefe veio nos explicar ligeiramente o porquê da demissao. Nao rendia muito. Nao tinha iniciativa. Muito calada. Demasiado tranquila.
Sua única preocupaçao, único objetivo, ser feliz.

2 comentários:

Andre Google disse...

Nininha,

Puxa... com a atitude que você descreveu... não admira que ela - infelizmente - tenha sido mandada embora...

Sabe o que está me ocorrendo? Se eu estivesse na situação dela, EU GOSTARIA MUITO, ME SENTIRIA APOIADO, se recebesse um telefonema com palavras de consolo, um telefonema "para dar uma força".

O que vc acha?

Papi ´

key disse...

Anni, Linda!!
Você teve a sensibilidade de SENTIR a dor, percebeu a grandeza de ter que encontrar força e coragem para "continuar" a trajetória... Que mulher sofrida - como tantas-... agarrando-se ao filho como fonte de vida!...
Tenho apreço pela sua emoção. Incentivo-a a continuar escrevendo mais e mais... Parabéns! Um beijo, Kéy.