quarta-feira, 25 de junho de 2008

Melancolia

Tenho uma semana estranha. Prefiro justificar pela proximidade do aniversário. Talvez não seja a toa que no Brasil se fala do inferno astral. Uma semana meio triste, embora o sol brilhe lá fora. Uma semana de auto perguntas para as quais não tenho respostas.
Não sei exatamente o que sinto. Creio que somos mais lúcidos quando pequenos. Mas não sei. Geralmente estou contente (feliz é uma palavra muito forte), mas as vezes, me sinto vazia. Me parece que toda a relação que tenho é superficial. Quem se importa? Quem realmente te olha. Muitos te olham, quantos te vêem?
Não é que pense que têm que se importar. Mas, e o verdadeiros amigos? Me sinto só. Esta é a verdade. Pensei que era boa em estar sozinha. Sozinha com um livro. Mas já não tenho tanta certeza. E ao mesmo tempo, estou cercada de gente. Mas a solidão não me deixa.
Fico na praia, o sol gostoso, um livro na mão, mas sinto falta de companhia. Alguém pra conversar. Ou alguém em silencio comigo. Enfim, uma presença. Não sei se sei estar só. Sozinha com meus pensamentos, com minhas dúvidas. As vezes faz falta alguém para compartí-las.
Ou é que não me conheço, mesmo depois de todo esse tempo convivendo comigo mesma. Não me conheço, não me entendo e talvez não me ame o suficiente para ser feliz sozinha. Porque me sinto incompleta, e ao mesmo tempo sei que é uma contradição. Somos completos, cada um por si. E nos complementamos todos.
Mas não passa de teoria. Uma teoria fácil de ser entendida, mas difícil de ser sentida. Sei com a cabeça. Não com o coração. E me faz falta. Faz tempo que não me sinto completa. Mas por algum tempo pude me auto enganar. Ficar contente com coisas superficiais. Comprar. Comer. Dormir. Mas não é suficiente. Em algum momento o auto engano deixou de surtir efeito. Como um remédio que aos poucos o corpo vai se acostumando.
Sei que são momentos passageiros. Os vejo como momentos de realidade. Onde um finalmente se faz perguntas. Onde a gente finalmente se sente na pele de ser humano.
Sinto saudades de saber quem sou. Será que o soube alguma vez?
Enfim, sinto saudades de mim mesma.

3 comentários:

Guilherme Bonnet disse...

Muito bom teu texto, às vezes me sinto assim, acredito que esta seja uma condição humana com que temos de aprender a viver.

Anni Michaelis disse...

Tambem acredito que seja uma condicao humana. Algo para o qual na maioria das vezes fechamos os olhos. Mas uma sensacao que sempre esta presente.

Guilherme Bonnet disse...

Tenho um texto, se pegar na essência é parecido com este que escreveu.
Quando puder dá uma lida.

http://merdasdearanha.blogspot.com/2009/04/saudade.html