sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dificil acreditar que nao faz nem um mes que estou aqui. Tantas coisas, tanta gente passando pela minha viagem que um mes parece ser infinitamente pouco.

Por exemplo, em apenas 3 dias conswgui um lindo diploma. Agora sou diplomada em culinaria tibetana. Nao paro de comer! Ja sei fazer paes, sopas e momos (uma especie de pastel cozido ao vapor). E nao e um diploma qualquer nao, nada de folha sulfit, diploma quase de verdade!

Um pouco de aventuras... Estava eu la, linda e formosa no outro dia, tomando um maravilhoso banho quente no banheiro do meu quarto, olho pra cima e...a maior aranha que ja vi na minha vida (isso porque ja vi algumas) la, me encarando. Ahhh, minha primeira reacao foi sair correndo e gritando, de shampoo na cabeca, mas logo me dei conta que essa ideia, na India, nao seria naaaada bem recebida, assim que quase calmamente terminei meu banho, congelando a aranha marrom, peluda e de pernas compridas com meu olhar e sai para buscar alguem que pudesse tira-la de la. Passaram uns 10 minutos antes que eu conseguisse encontrar o recepcionista. Expliquei minha historia e la vai o cara, desaparece por uns 5 minutos em algum lugar e volta com um aromatizador. Nao, volto a explicar, tem uma aranha enoooooorme no meu banheiro! Ah, ele disse, spiderman! Nao, quase grito! So spider, sem man!!! Ah, finalmente eu, de cabelos pingando, consigo arrastar o cara pro meu banheiro. La vai ele, olha com cara de entendedor e diz, nao tem problema! Voce tire esta aranha dai agoraaaaa, quase grito de novo! Finalmente me vejo livre da aranha e ainda faco o cara dar uma checada em todo o resto pra ver se tem nenhuma outra. Isso porque e o terceiro dia que estou la e manhtenho sempre mantenho a porta do banheiro fechada. Isso quer dizer que ela sempre esteve la. Embora nao a tenha visto. Prefiro nem pensar onde.

Por outro lado chegou o Dalai Lama. Num lindo dia de sol, as ruas todas enfeitadas, um mar de gente amontoada para ve-lo. Bom, aqueles que chegaram primeiro talvez tenham podido, mas eu so pude ver a caravana, ja que ele estava sentado no menor carro.

E ontem comecaram os ensinamentos. Seguranca maxima. Nada de cameras, telefones, armas, nada. So ve-lo entrar, com um sorriso manso no rosto e emanando uma aura de bondade ja valeu a pena. Bom, pelo menos isso salvou o primeiro dia. Ate porque a traducao nao e simultanea e nao e das melhores. A transmissao e feita por radio e as vezes o sinal nao e muito bom. E o tradutor, as vezes le na mesma velocidade que o Dalai Lama, os textos sagrados, que aqui ja sao conhecidos e nao pra entender nem uma palavra.

Hoje, ja fui mais preparada. Papel e caneta na mao. Anotar ajuda a concentrar a mente, alem de ajudar a entender. Por outro lado ontem comprei um tappawere para servir de prato ja que la mesmo servem comida. Ontem, ao nao saber, sai com 3 amigas para almocar e a comida demorou tanto que quando conseguimos voltar ja tinha comecado. Apos muita luta consegui uma porcao de arroz e uma de sopa que me fizeram bastante feliz. E de novo ve-lo entrar e sair me encheu os olhos de lagrimas e me arrepiou o corpo inteiro.

A verdade e que muitas coisas nao consigo entender. Nem eu nem ninguem, imagino. Mas suponho tambem que muitas coisas entrarao por osmose. Nao e todo dia que podemos estar perto (nao no mesmo recinto) de um ser desses.

Hoje consegui tomar algo de notas. O tema foi a nao existencia do eu (selfness). O budismo e o pacificar a mente. A mente, segundo eles, pode ser pacificada atraves da meditacao sobre a nao existencia do eu. Quando a mente deixa de ser egoista (self-centered) passa a ser compassiva e nao gasta tanto tempo pensando em si mesma. Budismo e o cultivo da mente nao egoista.

Quando um pessoa deixa de pensar tanto em si mesma o "eu" deixa de existir e amente se acalma.

Quanto a generosidade, o budismo perga que devemos ser generosos sem apegos ao objeto dado, generosos simplesmente pelo ato de se-lo, sem pensar no que recebera em retorno. Generosidade + amor + compreensao levam a iluminacao.

Um objeto pode ser visto de duas formas: superficial, onde se ve a forma resplandecente e a analitica, onde o objeto nao existe de maneira independente. Esta 'e a "Ultimate Truth". O "eu" deixa de existir, nao pode ser encontrado, nem identificado. O que reconhecemos como "eu" e nada mais que uma forma fisica e uma personalidade criada em cada vida.

Ate mesmo os Bodhistwas devem ser vistos como nao-existentes ja que suas existencias nao ocorrem de forma independente. E impossivel ter compreensao do ser se nao se compreende a nao existencia do eu e da forma (phenomn). Por outro lado deve-se ter cuidado para nao se apegar a sensacao de inexistencia.

Para provar a existencia real de um objeto, este deveria passar por 3 analises.
-O objeto deve ser aceito por uma mente convencional
-O objeto nao deve ser rejeitado por uma mente que analisa o sentido convencional
-O objeto nao deve ser rejeitado por uma mente que analisa o "Ultimate Sense"

Nao e que nada existe, as coisas simplesmente existem por sugestao subjetiva. Ainda que uma mente esteja livre de arrogancia, se nao se tem conhecimento nao se chegara aos resultados devidos.

O corpo, por exemplo, so e reconhecido como corpo por todas suas diferentes partes. Ha uma co dependencia entre todas as partes e o corpo como um todo para que podamos reconhece-lo. Isso demonstra que o corpo nao e real, ja que sua existencia nao e independente.

Objeto+ sense of self = apego ou aversao. Para evitar os dois ultimos tem-se que minar tanto o sentido do eu quanto a visao que uma pessoa tem de um objeto. O entendimento da origem dependente (dependent origination) mina a ignorancia. Na existencia dependente nao ha forma real.

Para que a mente possa ser controlada deve-se ir alem do sofrimento. Ate que um ser passe por isso nao pode ser chamado Bodhisatwa. Meditar sobre a nao existencia (emptiness) ajuda a percorrer o caminho da iluminacao, ja que mina o sentido do "eu"

Bom, isso foi o que consegui anotar de todos os ensinamentos de hoje. Que todos facam proveito. Be Happy!

3 comentários:

Anônimo disse...

Então em Dharamsala há aranhas!!!
E gigantescas!!! Hummmmmm... provavelmente devem ser todas muito tranquilas e medidativas... nada agressivas...

E quanto aos ensinamentos sobre o budismo... puxa... assim de longe... aqui do Brasil pelo menos... parece tão complicado....

Mas de tudo, uma certeza: Anni está fazendo uma viagem maravilhosa...

beatriz disse...

Oi minha afilhadota, que maravilha essa viagem, se está buscando o sentido das coisas, qual seria o sentido desta aranha? Vale a pena pensar, o equilíbrio diante das coisas, materiais ou não, é a eterna sabedoria.

Alice Michaelis disse...

NIIII!
quando vc volt6ar vc vai me encinar a fazer comida tibetana, neh
te amo muitão.





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